14 de outubro de 2014

Assunto sério, a sério!

Amanhã vou estar em tribunal e vou estar em tribunal a defender a minha entidade patronal num caso de despedimento de uma colega. Se o meu pai (comunista dos sete costados) soubesse disto muito provavelmente lhe dava uma coisa má e, quase certo, deserdava a filha. E porque é que eu escrevo isto num blog onde trato, sobretudo, do dia-a-dia, do crescimento da minha filha e das coisas que nos fazem mais ou menos felizes? Porque vou falar de racismo. É sobre isso que me vou pronunciar em tribunal.
Falar de raça, de pele, de cultura e religião. Uma outra dimensão que eu branca, católica, burguesa (desculpa lá pai), nunca sofri na pele até ter parido uma filha que não é branca.
Ao longo dos anos indignei-me com as injustiças, juntei-me a associações anti-racistas e sempre me manifestei contra qualquer forma de discriminação. Mas olhar o racismo cara-a-cara, senti-lo e ver o monstro que é através dos olhos da minha filha é muitíssimo diferente. E por isso vou falar contra uma colega que já me apelidou de "vaca indiana" e que considera a minha nova família "de suja e porca". Enquanto sociedade acho que somos demasiado condescendentes e brandos com os comentários racistas e discriminatórios e esquecemos que as palavras geram actos. Prova disso é o facto da minha filha, com apenas seis anos de idade, me ter perguntado "que cor era a dela". Confesso que num primeiro momento lhe devolvi-lhe a pergunta, sem perceber do que é estava ela a falar:"Cor do quê, filha?". "Da minha pele", respondeu-me, ao mesmo tempo que beliscava o braço.



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